Terça-feira

terrorismativo poético

gosto da ação centrada e mediada por eventos pacifistas.
oriento-me por tais eventos e pelos princípios da liberdade anarcopoética e das subjetividades rebeldes
de colocar o dedo na ferida aberta por toda e qualquer forma de poder imposto.
dito isto (e tudo o que é dito é dito por alguém a partir de algum
lugar),
quero colocar algumas pimentas nesta questão.


terrorismo e atentado, são idéias/forças políticas que há muito tempo acompanham as ações
humanas
(heráclito dizia que o que respira, conspira).
as duas se complementam.
assustam e geram pavor social medo e morte, no iraque, afeganistão, caxemira, barcelona, paris ou no complexo do alemão.
feitas numa intervenção poética do chacal
podem provocar espanto e risos.
numa situação amorosa partilhada, tesão.
as situações deslocam/brincam com significantes e significados.
no entanto, o sentido acima descrito, tem um caráter político.
assim tanto uma quanto outra carregam consigo uma conotação similar.
e aí está a grande questão: o que elas de fato procuram não é o gesto em si,
mas sim gerar uma situação de medo, de ruir o sentido da certeza, traz a proximidade da morte. 

neste sentido, pensar um terrorismo poético (desde os anos 20 com os surrealistas)
é articular ações que provoquem espanto, tirem o indivíduo do lugar comum e das promessas da modernidade e do estado estupefaciente de "que nada pode ser feito para mudar"
e coloquem-no frente-a-frente com um caos momentâneo.
as certezas modernas e a ordem econômica capitalista
não é o reino do bem, do bom e da verdade,
muito pelo contrário: é o lugar do simulacro, da violência
e da vida enquanto produto mercantilizável.

o terrorismo poético pode gerar um riso intenso em uma menina,
moradora de uma favela na cidade de curitiba,
ao chegar em casa e encontrar seu quarto todo pintado, com livros e brinquedos.

aqui, o terror está colocado no processo: eles entraram sem permissão,
arrombaram a casa e furtivamente alteraram a ordem da casa.
o terror amendronta a ordem constituída, suas regras e normas, e é imprevisível.

no entanto, ele é uma ação centrada na inteligência, na estratégia, na astúcia e num ideal.

toda intenção maior do que o próprio indivíduo,
no sentido da construção coletiva, dos saberes pluriversais,
e centrada em valores contrários ao sistema capitalista e a ordem imperial, me interessa.
 

aplico um terrorismo poético que pretende fomentar novos métodos. apontar o mesquinho, o vil, os trapaceiros,
seja onde estiverem. 

me interessa profundamente uma antibomba bombeando água para irrigar o semi-árido brasileiro,
 

digamos sinceramente um não a todos aqueles que financiam e acionam as bombas que destroçam vidas 
nas ruas de bagdá,
al walajeh 
no congo,
no afeganistão,
na caíxa mágica (hoje de lcd, led, tela plana)
que reina como símbolo da verdade moderna
na sala da tua casa



fernando cisco zappa
janeiro de 2012

aqui, lá, acolá ou em bh

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