Quinta-feira

theatre derevo

anton adasinsky e a trupe russa do derevo  apresentam um discurso veemente contra o pensamento racional ocidental
mais especificamente contra a razão européia


incita-nos a recuperar o ser não apenas enquanto ser
que pensa
mas que sente e pensa
a partir do conjunto de nossas faculdades
 
o mundo não é real
o mundo é possível

e a compreensão e o entendimento não é produto tão somente da razão

a razão expressa muitas vezes
uma redução do conhecimento
aos termos cognitivos
que caracterizam o entendimento (entediamento) analítico


derevo:
teatro onírico teatro físico teatro desalinhado

teatro mágico mítico crítico

teatro que faz da música uma língua

e faz da língua um riso

e faz do riso
uma graça
e de mãos estendidas:

um convite para ser livre

para nos colocarmos perante a cenas/situações
como quem se vê diante do inédito
diante do desconhecido
a partir do que excede os limites conceituais...

nós não precisamos esgotar a relação
com o que nos é externo
nos conteúdos de uma explicação...


once é um presente!
 
obrigado theatre derevo!!!
 
por quebrar o prato
o pasto do mesmo e explicável real

por acender o cheiro animal
 
once é animal

é um zoológico de sensaç
ões primevas
de movimentos atávicos

de brinquedos gestuais
que
arriscam inventos possíveis
que desestruturam as lógicas e os planos de chumbo


sim!


anton adasinsky e o derevo dizem
sim!
teatro é performance
e com esses maravilhosos russos
é possível

o que não existe interessa
interessa no sentido de integrar à existência
silenciadas histórias

da cena privada
da cena da rua
do palco político
das histórias de dor
da feiúra
da beleza nas máscaras da hipocrisia


theatre derevo, com once
quer tornar o toque possível
faz a gente se contorcer na cadeira
nos tira da instabilidade do plano perfeito

para que a gente possa com eles

tocar o intangível
tocar a mão de quem vive com a gente todo dia
e a gente esquece

como se passássemos a ser cegos táteis

a sermos surdos em nossa capacidade de escutar a textura do dia
imenso, magnífico, simples
e intenso que o amanhecer anuncia


once é magia

once é o escracho
da decadência cristã:
o anjo torto
o anjo caído
coloca a gente para duvidar das próprias crenças
as coisas o
s fatos são e não são
nada é normal
nada é são
o olhar que não se toca engana

o toque que não cheira se encana

o ouvido que não critica se enquadra


as coisas acontecem no palco contemporâneo
das concomitâncias

o local desglobaliza o global
despotencializa o império
o subalterno tem voz

seu grito não é silencioso

seu grito é a fronteira entre o
humano e o animal
a fronteira é tênue

tudo se rompe...

balbuciamos!!!

as caixas das pandoras se abrem dentro das caixas russas

que encaixam
quebram caixas
e reinventam toda a mobília
a paisagem

a memória dos gestos
e das culturas
as pantomimas cintilam no olho do palhaço
cano é cachimbo bengala paleta
registro de uma realidade múltipla

cometa é cavalo de prata
é deep purple no chuveiro do universo

theatre derevo,
obrigado por nos tirar do sério

e ridículo cotidiano das manchetes das carcomidas mídias brasileiras


 
theatre derevo,
mais dionísio menos apolíneo

a exuberância dos livres!





uma noite de espanto
 
fernando cisco zappa...

.
.
.

1 toques:

  1. Maravilhoso esse "ensaio" sobre o Derevo, Fernando.

    Costumo dizer que faz-se necessário uma "pedagogia do sonhar" para ressignificação/transformação de nossos imediatismos. Suas escritas ensinam a sonhar, a insurgir, a manifestar o corpo e o espírito, sem dogmas e didatismos, no ballet exuberante dos livres!

    Agradeço por adentrar no universo do teatro e do Derevo através de sua sensível leitura.

    Forte abraço,
    H.F.

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